h1

Quero

4 April 2008

Eu quero o mundo como casa
Mas antes quero conhecer bem minha própria casa.
Eu quero voar alto
Com os pés assentes no chão.

Eu quero uma manhã com Sol,
Quero o Sol como despertador.
Eu quero telefonemas para falar de como foi o dia
E quero telefonemas que me deixem muda.

Quero ouvir a mesma música mais que uma vez,
Ver o mesmo filme mais que uma vez,
Ler o mesmo livro mais que uma vez,
E continuar parecendo sempre a primeira.

Eu quero me perder no mato
Para encontrar minha própria trilha.
Quero uma trilha com poça de água, com lama
Mas onde nasçam flores, muitas flores.

Eu quero lembrar o que às vezes esqueço
E quero esquecer o que às vezes lembro.
Quero chorar de tanto rir
E quero rir em vez de chorar.

Eu quero tudo para não querer mais nada.
Mas o tudo nunca é tudo e o mais nada não existe.
Então eu quero saber querer o que quero
Quero saber não querer também
E quero aprender que o querer não é eterno, não é suficiente.

E isso é tudo.

Advertisements
h1

The Virgin Suicides

17 March 2008
virgin-suicides.jpg
The Virgin Suicides é o filme de estréia de Sofia Coppola, lançado em 1999 e baseado no livro de Jeffery Eugenides, com o mesmo nome.
Estamos nos EUA dos anos 70, num típico subúrbio americano. O filme conta a história das cinco lindas irmãs Lisbon – Therese (Leslie Hayman), Bonnie (Chelse Swain), Mary (A. J. Cook), Lux (Kirsten Dunst) e Cecilia (Hanna Hall). Elas nos são apresentadas com imagens em câmara lenta, passando a imagem de “garotas perfeitas”, como anjos que vivem na Terra. A história é narrada pelo ponto de vista de uns meninos que vivem nesse mesmo bairro e que nutrem por elas uma profunda admiração e reverência. Como os pais das meninas – Mrs. e Mr. Lisbon (Kathleen Turner e James Woods) – são muito conservadores e religiosos, elas vivem conforme regras muito rígidas, isoladas de qualquer atentado à sua pureza, impedidas de poderem conhecer e crescer dentro do mundo adolescente. A vida desta família intrigava todos e parecia perfeita aos olhos dos vizinhos… até que a irmã mais nova, Cecilia, se suicida, e algum tempo depois as 4 outras irmãs seguem o seu exemplo.

Fica lançada então a grande questão: porque é que as irmãs se suicidaram?

Sem querer desiludir (muito pelo contrário!) o filme não dá nenhuma resposta. Ou aliás, talvez seja revelada aos poucos ao longo do filme, e seja interpretada de maneiras diferentes por pessoas diferentes. Os garotos, mesmo vários anos após os suicídios, continuam obcecados pelas cinco irmãs e tentam, sem sucesso, descobrir toda a razão por trás disso.
Pelo que eu entendi, o suicídio, mais do que uma forma de se libertarem fisicamente da prisão onde viviam – porque psicologicamente elas já se sentiam mortas há muito tempo –
foi a última tentativa encontrada pelas meninas de fazerem a realidade prevalecer sobre a imagem celestial que elas supostamente tinham, que foi inútil (mesmo fazendo com que os meninos testemunhassem seu suicídio), assim como todas as outras tentativas.
O diário de Cecilia, com descrições frias, realistas e nada românticas do seu dia-a-dia, a promiscuidade de Lux – tudo é visto pelos meninos como algo além da realidade deles, algo divino. Sofia até recorre à imagens em câmara lenta quando elas passam pelos meninos para acentuar essa visão irreal dos meninos: eles vêem o que querem ver – meninas lindas como aquelas dos comerciais, puras, inocentes e ao mesmo tempo sensuais e provocantes – e não o que está explícito mesmo na frente deles. A realidade simplesmente não consegue se libertar, aparecer. Ficou na casa das meninas, atrás daquelas portas impenetráveis.

lisbon-sisters.jpg

E isso não é só evidente na descrição dos meninos. A própria visão de Trip Fontaine (Josh Hartnett), anos mais tarde, sobre o seu romance com Lux é surrealista. Para ele, a história deles foi como um romance de livros, Lux perdura na mente dele com aquele andar em câmara lenta e olhar brilhante. No entanto, o caso deles terminou com ela, rainha do baile da escola naquela noite, acordando na manhã seguinte deitada sozinha no campo de futebol, abandonada por ele e se sentindo usada – acontecimento que eventualmente contribuiría para o seu suicídio. Os próprios pais das garotas tentam fechar os olhos à realidade, às necessidades das suas filhas, com esperança de que de alguma forma desaparecessem ou mudassem. Eles não sabiam e não entendiam porque não queriam. E as irmãs, que não passavam de simples adolescentes, estranhas e confusas com tudo o que se passava à volta delas, imaturas e cheias de dúvidas como qualquer outro jovem, por fim desistiram.

Um filme complexo pela sua simplicidade, com excelentes interpretações e muito bem dirigido. A banda sonora então das melhores que já ouvi – entregue às mãos do grupo Air (a música Playground Love é o principal tema do filme), que não podiam ter feito nada mais adequado. Acho que é óbvio o meu conselho final, não? :)
h1

Zodiacal Personality

24 February 2008

The horoscope is funny. All this astrology stuff is funny.

We can’t deny it: anyone who ever reads the newspaper or any sort of magazine always takes a look at the horoscope page. I must confess, I do. After all, why not knowing what will happen to me and the other 1.540.673 Aries in the world this week?

“Oh, will I ever get that promotion? Will I finally find the love of my life?” Come on! Don’t spend so much time with these questions, don’t you get worried! Just see which star sign matches with your date and hour of birth and discover what the stars save for your fate in this day, week, month or even year.

And guess what, you also have an extra bonus – a personality kit! If you’re Virgo, than you’re organized, but also shy. If you’re Taurus, than you are very strong and passionate, although you can be very stubborn. Of course, there are some kits better than others. But unfortunately there’s nothing we can do about it, just cross our fingers and hope to be born in that particular month.

So, as you can see, this automatically improves plenty things in one’s life: when meeting someone, you can instantly know if you will work out together – you just have to ask his or her star sign. More, you won’t need to pass that eternal dilemma in teenage, trying to find who you really are or what you really want – the stars will do this job for you.

Isn’t it easy? After all, life isn’t that difficult and unpredictable. Just spend a few small changes in a nearby news-stand and relax.

h1

Lixo

3 February 2008
lixo.jpg

Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

– Bom dia.
– Bom dia.
– A senhora é do 610.
– E o senhor do 612.
– Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
– Pois é… Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
– O meu quê?
– O seu lixo.
– Ah…
– Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
– Na verdade sou só eu.
– Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
– É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
– Entendo.
– A senhora também.
– Me chama de você.
– Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
– É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
– A senhora… Você não tem família?
– Tenho, mas não aqui.
– No Espírito Santo.
– Como é que você sabe?
– Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
– É. Mamãe escreve todas as semanas.
– Ela é professora?
– Isso é incrível! Como você adivinhou?
– Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
– O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
– Pois é…
– No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
– É.
– Más notícias?
– Meu pai. Morreu.
– Sinto muito.
– Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos viamos.
– Foi por isso que você recomeçou a fumar?
– Como é que você sabe?
– De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
– É verdade. Mas consegui parar outra vez.
– Eu, graças a Deus, nunca fumei.
– Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo…
– Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
– Você brigou com o namorado, certo?
– Isso você também descobriu no lixo?
– Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
– É, chorei bastante, mas já passou.
– Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
– É que estou com um pouco de coriza.
– Ah.
– Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
– É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
– Namorada?
– Não.
– Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
– Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
– Você nao rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
– Você está analisando o meu lixo!
– Não posso negar que o seu lixo me interessou.
– Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
– Não! Você viu meus poemas?
– Vi e gostei muito.
– Mas são muito ruins!
– Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
– Se eu soubesse que você ia ler…
– Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
– Acho que não. Lixo é domínio público.
– Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
– Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
– Ontem, no seu lixo.
– O quê?
– Me enganei, ou eram cascas de camarão?
– Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
– Eu adoro camarão.
– Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode… Jantar juntos?
– É… Não quero dar trabalho.
– Trabalho nenhum.
– Vai sujar a sua cozinha.
– Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
– No seu lixo ou no meu?

Luís Fernando Veríssimo.

h1

New Layout

3 February 2008

I was a bit tired of the previous one. Time to change.

h1

Publicidade Criativa = Sucesso Garantido

30 January 2008

3m-security-glasses.jpg

 

Esta é uma brilhante e inteligente campanha publicitária que visa divulgar o novo vidro de segurança da empresa 3M.

O painel Security Glass, recheado de dinheiro (verdadeiro?), foi colocado perto de uma paragem de autocarro no Canadá, em Vancouver, um lugar bastante movimentado, de forma a que não passasse despercebido. Mas o ‘quê’ de genial desta campanha não foi só a intenção de promover o produto, e sim observar a reacção das pessoas – que não foi indiferente: muitos, tentando pôr as suas mãos em tanto dinheiro, tentaram inúmeras vezes de inúmeras formas quebrar o vidro, alguns com violentos pontapés, murros e até com tacos de golfe ou baseball. Tentativas inúteis, obviamente.

3mglass3.jpg

Conclusão final: funciona.

Objectivo: alcançado.

Bónus extra: cobertura maciça da TV canadense, que mostrou vídeos e imagens das tentativas frustradas das pessoas de chegar ao dinheiro, dando fama mundial à campanha.

E isto tudo sem perder todo aquele dinheiro!

 

 

h1

“Seize the day boys, make your lives extraordinary.”

20 January 2008
Dead-Poets-Society.jpg
” They’re not that different from you, are they? Same haircuts. Full of hormones, just like you. Invincible, just like you feel. The world is their oyster. They believe they’re destined for great things, just like many of you, their eyes are full of hope, just like you.
Did they wait until it was too late to make from their lives even one iota of what they were capable? Because, you see gentlemen, these boys are now fertilizing daffodils. But if you listen real close, you can hear them whisper their legacy to you.Go on, lean in. Listen, you hear it? – – (whisper) Carpe – – hear it? – – (whisper) Carpe, carpe diem, seize the day boys, make your lives extraordinary. “

Hoje decidi começar com esta cotação do filme Dead Poets Society, com Robin Williams. Ontem ao escrever um texto para um amigo é que pus-me a pensar nisto de aproveitar o dia. Às vezes a correria do dia-a-dia faz-nos esquecer isto. Talvez seja este o mal de muitos, e não me excluo.

Os nossos planos, esforços e conquistas tornam, sim, a nossa vida extraordinária e ficam sem dúvida marcados na memória. Mas não são só os grandes feitos que são extraordinários, muito pelo contrário. Não é o lembrar da nossa excelente nota a matemática ou da nossa vitória numa competição que nos põe aquele sorriso tímido no rosto, e sim a lembrança daquele almoço, daquela tarde, daquela noite. Ou até daquele tralho nosso ou de outro amigo qualquer (sejamos sinceros!). É nestas alturas que paramos e pensamos “Sim, eu aproveitei, eu vivi”.
O mundo é tão grande, de horizontes tão largos, com tantas oportunidades, que por vezes deixamo-nos levar e tentamos agarrar tudo de uma vez. Surpresa! – acabamos por não agarrar nada. E então o que é que fica? As oportunidades existem, e existem para ser agarradas, sim. Mas uma de cada vez, cada uma a seu tempo, sem medo de se arrepender, sem medo de se magoar, por mais que seja difícil.

Então sai pela porta da frente, desfruta, suja-te, cai e levanta-te logo depois, mais do que uma vez até, quantas vezes forem precisas. Ri, chora e reflecte também, não deixa nunca de ser preciso. É a nossa vida, somos nós quem a escrevemos.

Para terminar, uma tira da banda desenhada Calvin & Hobbes, de Bill Watterson, que encontrei e achei apropriada. (:

Calvin & Hobbes