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The Virgin Suicides

17 March 2008
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The Virgin Suicides é o filme de estréia de Sofia Coppola, lançado em 1999 e baseado no livro de Jeffery Eugenides, com o mesmo nome.
Estamos nos EUA dos anos 70, num típico subúrbio americano. O filme conta a história das cinco lindas irmãs Lisbon – Therese (Leslie Hayman), Bonnie (Chelse Swain), Mary (A. J. Cook), Lux (Kirsten Dunst) e Cecilia (Hanna Hall). Elas nos são apresentadas com imagens em câmara lenta, passando a imagem de “garotas perfeitas”, como anjos que vivem na Terra. A história é narrada pelo ponto de vista de uns meninos que vivem nesse mesmo bairro e que nutrem por elas uma profunda admiração e reverência. Como os pais das meninas – Mrs. e Mr. Lisbon (Kathleen Turner e James Woods) – são muito conservadores e religiosos, elas vivem conforme regras muito rígidas, isoladas de qualquer atentado à sua pureza, impedidas de poderem conhecer e crescer dentro do mundo adolescente. A vida desta família intrigava todos e parecia perfeita aos olhos dos vizinhos… até que a irmã mais nova, Cecilia, se suicida, e algum tempo depois as 4 outras irmãs seguem o seu exemplo.

Fica lançada então a grande questão: porque é que as irmãs se suicidaram?

Sem querer desiludir (muito pelo contrário!) o filme não dá nenhuma resposta. Ou aliás, talvez seja revelada aos poucos ao longo do filme, e seja interpretada de maneiras diferentes por pessoas diferentes. Os garotos, mesmo vários anos após os suicídios, continuam obcecados pelas cinco irmãs e tentam, sem sucesso, descobrir toda a razão por trás disso.
Pelo que eu entendi, o suicídio, mais do que uma forma de se libertarem fisicamente da prisão onde viviam – porque psicologicamente elas já se sentiam mortas há muito tempo –
foi a última tentativa encontrada pelas meninas de fazerem a realidade prevalecer sobre a imagem celestial que elas supostamente tinham, que foi inútil (mesmo fazendo com que os meninos testemunhassem seu suicídio), assim como todas as outras tentativas.
O diário de Cecilia, com descrições frias, realistas e nada românticas do seu dia-a-dia, a promiscuidade de Lux – tudo é visto pelos meninos como algo além da realidade deles, algo divino. Sofia até recorre à imagens em câmara lenta quando elas passam pelos meninos para acentuar essa visão irreal dos meninos: eles vêem o que querem ver – meninas lindas como aquelas dos comerciais, puras, inocentes e ao mesmo tempo sensuais e provocantes – e não o que está explícito mesmo na frente deles. A realidade simplesmente não consegue se libertar, aparecer. Ficou na casa das meninas, atrás daquelas portas impenetráveis.

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E isso não é só evidente na descrição dos meninos. A própria visão de Trip Fontaine (Josh Hartnett), anos mais tarde, sobre o seu romance com Lux é surrealista. Para ele, a história deles foi como um romance de livros, Lux perdura na mente dele com aquele andar em câmara lenta e olhar brilhante. No entanto, o caso deles terminou com ela, rainha do baile da escola naquela noite, acordando na manhã seguinte deitada sozinha no campo de futebol, abandonada por ele e se sentindo usada – acontecimento que eventualmente contribuiría para o seu suicídio. Os próprios pais das garotas tentam fechar os olhos à realidade, às necessidades das suas filhas, com esperança de que de alguma forma desaparecessem ou mudassem. Eles não sabiam e não entendiam porque não queriam. E as irmãs, que não passavam de simples adolescentes, estranhas e confusas com tudo o que se passava à volta delas, imaturas e cheias de dúvidas como qualquer outro jovem, por fim desistiram.

Um filme complexo pela sua simplicidade, com excelentes interpretações e muito bem dirigido. A banda sonora então das melhores que já ouvi – entregue às mãos do grupo Air (a música Playground Love é o principal tema do filme), que não podiam ter feito nada mais adequado. Acho que é óbvio o meu conselho final, não? :)