Archive for February, 2008

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Zodiacal Personality

24 February 2008

The horoscope is funny. All this astrology stuff is funny.

We can’t deny it: anyone who ever reads the newspaper or any sort of magazine always takes a look at the horoscope page. I must confess, I do. After all, why not knowing what will happen to me and the other 1.540.673 Aries in the world this week?

“Oh, will I ever get that promotion? Will I finally find the love of my life?” Come on! Don’t spend so much time with these questions, don’t you get worried! Just see which star sign matches with your date and hour of birth and discover what the stars save for your fate in this day, week, month or even year.

And guess what, you also have an extra bonus – a personality kit! If you’re Virgo, than you’re organized, but also shy. If you’re Taurus, than you are very strong and passionate, although you can be very stubborn. Of course, there are some kits better than others. But unfortunately there’s nothing we can do about it, just cross our fingers and hope to be born in that particular month.

So, as you can see, this automatically improves plenty things in one’s life: when meeting someone, you can instantly know if you will work out together – you just have to ask his or her star sign. More, you won’t need to pass that eternal dilemma in teenage, trying to find who you really are or what you really want – the stars will do this job for you.

Isn’t it easy? After all, life isn’t that difficult and unpredictable. Just spend a few small changes in a nearby news-stand and relax.

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Lixo

3 February 2008
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Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

– Bom dia.
– Bom dia.
– A senhora é do 610.
– E o senhor do 612.
– Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
– Pois é… Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
– O meu quê?
– O seu lixo.
– Ah…
– Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
– Na verdade sou só eu.
– Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
– É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
– Entendo.
– A senhora também.
– Me chama de você.
– Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
– É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
– A senhora… Você não tem família?
– Tenho, mas não aqui.
– No Espírito Santo.
– Como é que você sabe?
– Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
– É. Mamãe escreve todas as semanas.
– Ela é professora?
– Isso é incrível! Como você adivinhou?
– Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
– O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
– Pois é…
– No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
– É.
– Más notícias?
– Meu pai. Morreu.
– Sinto muito.
– Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos viamos.
– Foi por isso que você recomeçou a fumar?
– Como é que você sabe?
– De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
– É verdade. Mas consegui parar outra vez.
– Eu, graças a Deus, nunca fumei.
– Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo…
– Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
– Você brigou com o namorado, certo?
– Isso você também descobriu no lixo?
– Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
– É, chorei bastante, mas já passou.
– Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
– É que estou com um pouco de coriza.
– Ah.
– Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
– É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
– Namorada?
– Não.
– Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
– Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
– Você nao rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
– Você está analisando o meu lixo!
– Não posso negar que o seu lixo me interessou.
– Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
– Não! Você viu meus poemas?
– Vi e gostei muito.
– Mas são muito ruins!
– Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
– Se eu soubesse que você ia ler…
– Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
– Acho que não. Lixo é domínio público.
– Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
– Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
– Ontem, no seu lixo.
– O quê?
– Me enganei, ou eram cascas de camarão?
– Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
– Eu adoro camarão.
– Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode… Jantar juntos?
– É… Não quero dar trabalho.
– Trabalho nenhum.
– Vai sujar a sua cozinha.
– Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
– No seu lixo ou no meu?

Luís Fernando Veríssimo.

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3 February 2008

I was a bit tired of the previous one. Time to change.