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Lixo

3 February 2008
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Encontram-se na área de serviço. Cada um com o seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.

- Bom dia.
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
- Pois é… Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah…
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena.
- Na verdade sou só eu.
- Humm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
- Entendo.
- A senhora também.
- Me chama de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim.
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas como moro sozinha, às vezes sobra.
- A senhora… Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é…
- No outro dia, tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos viamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei, mas tenho visto uns vidrinhos de comprimidos no seu lixo…
- Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos.
- É que estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você nao rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la . Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmos, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler…
- Só não fiquei com ele porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
- Ontem, no seu lixo.
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode… Jantar juntos?
- É… Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha.
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?

Luís Fernando Veríssimo.

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New Layout

3 February 2008

I was a bit tired of the previous one. Time to change.

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Publicidade Criativa = Sucesso Garantido

30 January 2008

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Esta é uma brilhante e inteligente campanha publicitária que visa divulgar o novo vidro de segurança da empresa 3M.

O painel Security Glass, recheado de dinheiro (verdadeiro?), foi colocado perto de uma paragem de autocarro no Canadá, em Vancouver, um lugar bastante movimentado, de forma a que não passasse despercebido. Mas o ‘quê’ de genial desta campanha não foi só a intenção de promover o produto, e sim observar a reacção das pessoas – que não foi indiferente: muitos, tentando pôr as suas mãos em tanto dinheiro, tentaram inúmeras vezes de inúmeras formas quebrar o vidro, alguns com violentos pontapés, murros e até com tacos de golfe ou baseball. Tentativas inúteis, obviamente.

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Conclusão final: funciona.

Objectivo: alcançado.

Bónus extra: cobertura maciça da TV canadense, que mostrou vídeos e imagens das tentativas frustradas das pessoas de chegar ao dinheiro, dando fama mundial à campanha.

E isto tudo sem perder todo aquele dinheiro!

 

 

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“Seize the day boys, make your lives extraordinary.”

20 January 2008
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” They’re not that different from you, are they? Same haircuts. Full of hormones, just like you. Invincible, just like you feel. The world is their oyster. They believe they’re destined for great things, just like many of you, their eyes are full of hope, just like you.
Did they wait until it was too late to make from their lives even one iota of what they were capable? Because, you see gentlemen, these boys are now fertilizing daffodils. But if you listen real close, you can hear them whisper their legacy to you.Go on, lean in. Listen, you hear it? – - (whisper) Carpe – - hear it? – - (whisper) Carpe, carpe diem, seize the day boys, make your lives extraordinary. “

Hoje decidi começar com esta cotação do filme Dead Poets Society, com Robin Williams. Ontem ao escrever um texto para um amigo é que pus-me a pensar nisto de aproveitar o dia. Às vezes a correria do dia-a-dia faz-nos esquecer isto. Talvez seja este o mal de muitos, e não me excluo.

Os nossos planos, esforços e conquistas tornam, sim, a nossa vida extraordinária e ficam sem dúvida marcados na memória. Mas não são só os grandes feitos que são extraordinários, muito pelo contrário. Não é o lembrar da nossa excelente nota a matemática ou da nossa vitória numa competição que nos põe aquele sorriso tímido no rosto, e sim a lembrança daquele almoço, daquela tarde, daquela noite. Ou até daquele tralho nosso ou de outro amigo qualquer (sejamos sinceros!). É nestas alturas que paramos e pensamos “Sim, eu aproveitei, eu vivi”.
O mundo é tão grande, de horizontes tão largos, com tantas oportunidades, que por vezes deixamo-nos levar e tentamos agarrar tudo de uma vez. Surpresa! – acabamos por não agarrar nada. E então o que é que fica? As oportunidades existem, e existem para ser agarradas, sim. Mas uma de cada vez, cada uma a seu tempo, sem medo de se arrepender, sem medo de se magoar, por mais que seja difícil.

Então sai pela porta da frente, desfruta, suja-te, cai e levanta-te logo depois, mais do que uma vez até, quantas vezes forem precisas. Ri, chora e reflecte também, não deixa nunca de ser preciso. É a nossa vida, somos nós quem a escrevemos.

Para terminar, uma tira da banda desenhada Calvin & Hobbes, de Bill Watterson, que encontrei e achei apropriada. (:

Calvin & Hobbes
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Bohemian Rhapsody acapella

16 January 2008
Vale a pena ver, muito original. Interpretado por UC Men’s Octet. (:
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We are what we listen to

12 January 2008

This week, I read in a Portuguese magazine, called ‘Super Interessante‘ – a magazine which has various articles about various areas, like science, tecnology, culture, society, history and nature – from January/2008, an article that caught my eye (the website given is from the magazine’s brazilian edition). It was in the ‘Behaviour’ section, and I found it really interesting – pretty ironic, since the translation of this magazine name is ‘Very Interesting’. Hah!

Anyway, it talked about a recent study in the field of neuromusic which supports that the type of personality of people can be defined by the style of music they prefer to listen to. According to the American psychologist Sam Gosling , from the University of Texas, who based his study in a test – STOMP – applied to hundreds of people, the personality of people show some characteristic traces according to their music preferences. These are the main diferences he established (more generally):

  • Reflective & Complex: Classical, Blues, Folk and Jazz.
  • Intense & Rebellious: Alternative, Rock and Heavy Metal.
  • Upbeat & Conventional: Country, Religious, Pop and Soundtracks/theme songs.
  • Energetic & Rhythmic: Dance/Electronic, Rap/Hip Hop and Soul/Funk.

But there is much more to know about our musical preferences. The British psychologist Adrian North, from the University of Leicester, made a detailed research in 2006 over more than 2500 people chosen randomly. The questionnaire had various questions – not just about musical tastes but also about daily habits, relationships, income… The magazine gives interesting details about the statistics, like:

  • Those who love opera music tend to be dangerous when driving and are, in majority, married. They are also liberal, smart, with high education levels and higher income than the average. And they prefer wine better than beer.
  • Rockers have more tendency than the average to declare themselves as atheists. They are active and adventurous. The lovers of the rock of the 60’s are more prejudiced by unemployed than the others, but that is probably related to their average age. As far as those who listen heavy metal, they usually are curious, intelligent, athletics and confident of themselves.
  • Fans of pop music are considered to be happy, generous, predictable and conservative. They usually are considered to be attractive people as well.
  • Those who like musical films and soundtracks usually prefer wine better than beer too. More, they are the ones who smoke less.
  • Those who like hip hop music are fewer enthusiasts of recycling and of renewable energy sources. However, they are extrovert and energic people, with a high self esteem.
  • The fans of electronic music like to practice sports and exercise regularly. More, they are the ones who travel the most.
  • Single people listen to more DJ, hip hop, dance and house music, but when they get into a steady relationship, they gradually start to appreciate country, blues, pop and classic music.

Funny, heh? (:

Our musical taste gets more ’solid’ between 16 and 24 years old, according to North. But of course, it isn’t the same through our life. As far as we get older, our taste becomes more and more sophisticated, as our brain has already heard more music and is able to ‘enjoy’ more complex sounds. Nevertheless, it’s pretty rare to find someone who loves to listen to Britney Spears, Lindsay Lohan or so, and instantly changes it for Beethoven and Brahms.

There are other theories about how music influences us. But if I talked about all I’ve already heard, I wouldn’t leave my computer today. Ahah!

It may sound a bit preconceptious to label someone by their favourite music genre. But if we look closely, when people meet each other for the first time, one of the most likely subject to talk about is music. By knowing the other’s preferences, we instantly identify ourselves with that person or not. And that, surely, is crucial. There are actually social websites based on that fact, like last.fm.

So, see if these personality caracteristics really match yours. (:

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Paraíso Perdido

12 January 2008

Como tinha prometido, algumas fotografias do Paraíso Perdido (nome que realmente não foi dado ao acaso!). Mais informções sobre o local aqui.

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Agora é que as saudades apertam… ahah! Enjoy! (:

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2008

3 January 2008

Mais um ano passou, mais um ano chegou. Muito sinceramente, não vejo nenhuma diferença entre o último dia de 2007 e o primeiro de 2008: é apenas mais um dia. A grande diferença é, talvez, a energia renovada. Há a tendência de se ver um novo ano como um novo começo, com as famosas ‘New Year’s resolutions’. Por um lado, é um tanto ilógico. Quero dizer, porque esperar um novo ano para uma mudança só porque o calendário dita que é o começo de um novo tempo? Revolução e mudança não precisam de hora e dia marcados. De qualquer maneira, isso não deixa de ser um incentivo àqueles que procuram algo de novo, por algum lado há que começar. E soa bonito ser no primeiro dia do ano. Pessoalmente, para as minhas resoluções de ano novo tenho como tópico único e principal a continuação de tudo o que tenho vindo a programar, sem desanimar nem deixar nada por fazer. E talvez não faltar tanto às aulas de natação, ok.

Quanto à festa de passagem de ano, não foi nada de especial. Estive no rancho com a família e acabamos por ir para o rancho vizinho depois da meia-noite fazer uma pequena festa improvisada. Foi bom! Aqui no Brasil há o costume de se vestir de branco no reveillon. Aqui associam-se as cores a diferentes desejos: verde, esperança; azul, tranquilidade; cor-de-rosa, amor; vermelho, paixão, etc etc. O branco, no caso, corresponde a paz. É claro que a maioria se veste de branco mais por questão de costume do que propriamente pelo desejo de paz. Se bem que, mesmo parecendo banal desejar paz, no fundo não o é. Afinal, quem se encontra em perfeita paz consigo mesmo? O dia seguinte à festa de ano novo foi passado numa incurável preguiça. Normal, há que recuperar-se da festa. (:

Ontem fui com uns familiares de Brasília ao ‘Paraíso Perdido’, um sítio próximo do rancho onde estávamos que tem várias cascatas. A experiência foi indescritível… Haviam sítios que lembravam paisagens de revistas de agências de viagens, o que parece impossível de existir. Mas para chegarmos a várias cascatas tinhamos de passar por sítios que à primeira vista dão bastante medo: dificeis de ‘escalar’, com pedras escorregadias. Uma boa dose de coragem foi indispensável nessas alturas. Mas depois a vista e a sensação de ‘we did it!’ eram bastante recompensantes. Bastante. Tirei algumas fotos, não de tudo no entanto – houve uma altura que deixei a minha máquina fotográfica com alguns do grupo que decidiram não arriscar, porque era um bocado arriscado levá-la comigo, e por isso não pude tirar fotos de algumas cascatas. De qualquer maneira, tenho algumas, o que já não é mau. Quando passá-las para o computador, ponho aqui algumas no próximo post.

De resto, nada de mais por agora. Depois de amanhã já vou voltar para a terrinha, retomar a rotina, rever os amigos e os pais, que as saudades já apertam e o dever me chama. Se bem que estas férias vão deixar saudades. E quantas…

Um bom ano para todos! (:

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Santa has came to town!

30 December 2007

And one more Christmas passed. This year it was quite different, though. This year, there was ‘Christmas-coconut-trees’ and no fireplace. It was very strange to me to pass Christmas Eve with such fresh clothes and surrounded by air conditioners. The so called ‘Christmas spirit’ wasn’t even the same – not less, but different.

I spent it at my grandparents’, in a little town in the state of São Paulo, called Monte Aprazível. As always, my grandmother was very perfeccionist with the decoration – the living room was adorable, with a little Christmas tree with plenty of presents around it (although I think some of them were fake, just as a decoration piece) and lots, lots of candles. I had never seen so many candles together. It may sound beautiful, it surely was, but it was horrible to light all them, the air conditioner didn’t make our job easier. So we preferred to keep the air conditioner and quit the candles – fair enough.

The celebration itself was very simple, like every year. However, my grandmother insisted on a little more of praying. But we still managed to make it lighter, with some laughs during it. The best, however, was spending time with the family, talking and joking. Although it wasn’t my home, I felt like I was at home.

Anyway, the Christmas doesn’t feel more like some years ago. It’s completely different when there is children too, waiting anxiously for midnight and then play with the presents the entire following day. I remember how mad I got when people gave me clothes or so – they weren’t made to be played, so why on hell should they give clothes? But that’s normal, I guess Christmas has different meanings throughout life. Neverthless, I’m sure that it doesn’t matter the age, Santa will always be welcome. (:

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Top 5 Christmas Songs

18 December 2007

It’s Christmas time. (:

I know it’s still a bit until then, but I can’t help this Christmas spirit. Such a beautiful time deserves beautiful songs as well. And surely, there are plenty of them. I selected some and made a ‘top 5′. There are others I like too, but I guess these are the ones that I keep singing in my head.

5. Jingle Bells Rock

I selected this one by Billy Idol. From the ones I found on YouTube, I guess this was the better. Still, not the best. Anyway, better this than Hillary Duff or so. Yuck.

4. Have Yourself a Merry Little Christmas

So simple and so beautiful at the same time. An extraordinary feeling of peace and tranquility. I loved this jazzy version by Diana Krall, like the rest of the songs of her Christmas CD. In my opinion, a ‘must have’.

3. Let It Snow

One of the most famous ever, full of optimism. And it’s dispensable to say why. Another jazzy version, this one by Jamie Cullum.

2. Silent Night

The classic one. And as a classic, it shouldn’t miss the top. Performed by The Corrs.

1. Happy Christmas (War is Over)

Perfect combination of lyrics and melody – not impressive, knowing who’s the author. Should be a lesson for many. Ladies and Gentlemen, I give you ‘Happy Christmas (War is Over)’, by John Lennon. (:

And that’s it. I hope I was fair enough…

Merry Christmas!