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4 June 2009

Meio cheio, meio vazio
Meio sentido
Meio vivido

Um projecto
Bonito na teoria, traços limpos e precisos
mas estamos a três dimensões, quem me diz que os traços ficam de pé? Quem me garante?

A voz quer sair, mas está rouca, fica a meio
Metade fica por vir cá para fora, e a outra metade mostra só um reflexo
É tudo uma prova, um jogo de reflexos
E neste jogo de reflexos a certeza incerta me distrai

Lê-me, vasculha-me por dentro e deixa a luz entrar, está abafado aqui dentro…
Bem me dizem que ela está lá fora e que a chuva finalmente já se foi, o dia brilha como nunca
Só que ficou a meio do caminho

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Perfect

31 May 2009

Sometimes, it’s never quite enough.
If you’re flawless, then you’ll win my love.
Don’t forget to win first place!
Don’t forget to keep that smile on your face…

(Alanis Morissette, Perfect)

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Walking on sunshine

1 March 2009

Paro para pensar, e olho à minha volta. Vejo no vazio do meu pensamento uma aurora, um despertar cheio de energia e luz, como se fosse um lento e preguiçoso despertar.

Está um belo dia de sol e sinto-me viva, sinto-me aberta para a paixão pela vida e por tudo adjacente a ela. Habituei-me a esta felicidade inconsequente, incompleta e incompreensível. A felicidade não é para ser compreendida, é para ser saboreada, para ser dançada ao ritmo do momento inesperado e fugaz. Uma dança em câmara lenta que enfeitiça, que toma o nosso corpo, entorpece a nossa mente, que fecha os olhos e abre a visão. Sedutora. Viciante.

Deixo-me seduzir, deixo-me ser guiada, caminho em direcção ao que me chama, absorvida pela realidade da minha ilusão.
I’m walking on sunshine.

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“Para ser grande”

13 November 2008

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.

Assim a cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

(Fernando Pessoa)

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[A foto foi tirada em Furnas, um pedacinho brasileiro do céu :) ]

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Estação

2 September 2008

E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida

A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar

(Encontros e Despedidas, Milton Nascimento)

Já dizia o mestre Nascimento. A gente entra e sai da vida das pessoas, as pessoas entram e saem da vida da gente.

Me disseram há muitos anos atrás que a dor da despedida diminui com o tempo, que a gente se acostuma. Já me acostumei a dizer adeus, mas ainda não me acostumei à despedida.

Realmente, o ‘para sempre é sempre por um triz’. Mas quanto tempo afinal dura um tchau? Onde começa o fim?

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Exames Nacionais 2008

8 July 2008

Pois é… Chegam até a ser ridículas as tentativas frustradas do Ministério em mostrar melhores estatísticas.

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O Caderno

28 May 2008

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o be-a-ba
Em todos os desenhos coloridos vou estar
A casa, a montanha, duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel
Sou eu que vou ser seu colega,
Seus problemas ajudar a resolver
te acompanhar nas provas bimestrais você vai ver
Serei de você confidente fiel,
Se seu pranto molhar meu papel
Sou eu que vou ser seu amigo,
Vou lhe dar abrigo, se você quiser
Quando surgirem seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer
Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer

O Caderno, Toquinho e Vinícius de Moraes

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Quero

4 April 2008

Eu quero o mundo como casa
Mas antes quero conhecer bem minha própria casa.
Eu quero voar alto
Com os pés assentes no chão.

Eu quero uma manhã com Sol,
Quero o Sol como despertador.
Eu quero telefonemas para falar de como foi o dia
E quero telefonemas que me deixem muda.

Quero ouvir a mesma música mais que uma vez,
Ver o mesmo filme mais que uma vez,
Ler o mesmo livro mais que uma vez,
E continuar parecendo sempre a primeira.

Eu quero me perder no mato
Para encontrar minha própria trilha.
Quero uma trilha com poça de água, com lama
Mas onde nasçam flores, muitas flores.

Eu quero lembrar o que às vezes esqueço
E quero esquecer o que às vezes lembro.
Quero chorar de tanto rir
E quero rir em vez de chorar.

Eu quero tudo para não querer mais nada.
Mas o tudo nunca é tudo e o mais nada não existe.
Então eu quero saber querer o que quero
Quero saber não querer também
E quero aprender que o querer não é eterno, não é suficiente.

E isso é tudo.

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The Virgin Suicides

17 March 2008
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The Virgin Suicides é o filme de estréia de Sofia Coppola, lançado em 1999 e baseado no livro de Jeffery Eugenides, com o mesmo nome.
Estamos nos EUA dos anos 70, num típico subúrbio americano. O filme conta a história das cinco lindas irmãs Lisbon – Therese (Leslie Hayman), Bonnie (Chelse Swain), Mary (A. J. Cook), Lux (Kirsten Dunst) e Cecilia (Hanna Hall). Elas nos são apresentadas com imagens em câmara lenta, passando a imagem de “garotas perfeitas”, como anjos que vivem na Terra. A história é narrada pelo ponto de vista de uns meninos que vivem nesse mesmo bairro e que nutrem por elas uma profunda admiração e reverência. Como os pais das meninas – Mrs. e Mr. Lisbon (Kathleen Turner e James Woods) – são muito conservadores e religiosos, elas vivem conforme regras muito rígidas, isoladas de qualquer atentado à sua pureza, impedidas de poderem conhecer e crescer dentro do mundo adolescente. A vida desta família intrigava todos e parecia perfeita aos olhos dos vizinhos… até que a irmã mais nova, Cecilia, se suicida, e algum tempo depois as 4 outras irmãs seguem o seu exemplo.

Fica lançada então a grande questão: porque é que as irmãs se suicidaram?

Sem querer desiludir (muito pelo contrário!) o filme não dá nenhuma resposta. Ou aliás, talvez seja revelada aos poucos ao longo do filme, e seja interpretada de maneiras diferentes por pessoas diferentes. Os garotos, mesmo vários anos após os suicídios, continuam obcecados pelas cinco irmãs e tentam, sem sucesso, descobrir toda a razão por trás disso.
Pelo que eu entendi, o suicídio, mais do que uma forma de se libertarem fisicamente da prisão onde viviam – porque psicologicamente elas já se sentiam mortas há muito tempo -
foi a última tentativa encontrada pelas meninas de fazerem a realidade prevalecer sobre a imagem celestial que elas supostamente tinham, que foi inútil (mesmo fazendo com que os meninos testemunhassem seu suicídio), assim como todas as outras tentativas.
O diário de Cecilia, com descrições frias, realistas e nada românticas do seu dia-a-dia, a promiscuidade de Lux – tudo é visto pelos meninos como algo além da realidade deles, algo divino. Sofia até recorre à imagens em câmara lenta quando elas passam pelos meninos para acentuar essa visão irreal dos meninos: eles vêem o que querem ver – meninas lindas como aquelas dos comerciais, puras, inocentes e ao mesmo tempo sensuais e provocantes – e não o que está explícito mesmo na frente deles. A realidade simplesmente não consegue se libertar, aparecer. Ficou na casa das meninas, atrás daquelas portas impenetráveis.

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E isso não é só evidente na descrição dos meninos. A própria visão de Trip Fontaine (Josh Hartnett), anos mais tarde, sobre o seu romance com Lux é surrealista. Para ele, a história deles foi como um romance de livros, Lux perdura na mente dele com aquele andar em câmara lenta e olhar brilhante. No entanto, o caso deles terminou com ela, rainha do baile da escola naquela noite, acordando na manhã seguinte deitada sozinha no campo de futebol, abandonada por ele e se sentindo usada – acontecimento que eventualmente contribuiría para o seu suicídio. Os próprios pais das garotas tentam fechar os olhos à realidade, às necessidades das suas filhas, com esperança de que de alguma forma desaparecessem ou mudassem. Eles não sabiam e não entendiam porque não queriam. E as irmãs, que não passavam de simples adolescentes, estranhas e confusas com tudo o que se passava à volta delas, imaturas e cheias de dúvidas como qualquer outro jovem, por fim desistiram.

Um filme complexo pela sua simplicidade, com excelentes interpretações e muito bem dirigido. A banda sonora então das melhores que já ouvi – entregue às mãos do grupo Air (a música Playground Love é o principal tema do filme), que não podiam ter feito nada mais adequado. Acho que é óbvio o meu conselho final, não? :)
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Zodiacal Personality

24 February 2008

The horoscope is funny. All this astrology stuff is funny.

We can’t deny it: anyone who ever reads the newspaper or any sort of magazine always takes a look at the horoscope page. I must confess, I do. After all, why not knowing what will happen to me and the other 1.540.673 Aries in the world this week?

“Oh, will I ever get that promotion? Will I finally find the love of my life?” Come on! Don’t spend so much time with these questions, don’t you get worried! Just see which star sign matches with your date and hour of birth and discover what the stars save for your fate in this day, week, month or even year.

And guess what, you also have an extra bonus – a personality kit! If you’re Virgo, than you’re organized, but also shy. If you’re Taurus, than you are very strong and passionate, although you can be very stubborn. Of course, there are some kits better than others. But unfortunately there’s nothing we can do about it, just cross our fingers and hope to be born in that particular month.

So, as you can see, this automatically improves plenty things in one’s life: when meeting someone, you can instantly know if you will work out together – you just have to ask his or her star sign. More, you won’t need to pass that eternal dilemma in teenage, trying to find who you really are or what you really want – the stars will do this job for you.

Isn’t it easy? After all, life isn’t that difficult and unpredictable. Just spend a few small changes in a nearby news-stand and relax.